A Arte | O Artista

A Arte

A arte da azulejaria é uma das representações mais sólidas e persistentes da cultura Portuguesa no mundo, sendo usada ininterruptamente na decoração de casas e cidades há mais de 500 anos.

Foi durante a ocupação da Península Ibérica pelos Árabes que os Portugueses tomaram o primeiro contacto com a cerâmica mural. Desde essa altura o processo de criação nunca mais cessou, dando origem a uma diversidade de trabalhos tão grande quanto as experiências, os medos, as alegrias e a imaginação dos seus autores.

Estas peças revolucionam os espaços interiores e exteriores, criam sensações de luz, cor e frescura; servem de catalizador para a imaginação decorativa e também para a representação de cenas figuradas, seguindo contos mitológicos e religiosos, retratando capítulos da história do País, descrevendo elegantes lazeres, paisagens, ofícios, etc...

A história faz de Portugal o país onde se encontra o maior número de azulejos, reforçando a ideia da ligação estética e duradoura entre arquitectura e o azulejo, sendo ainda hoje quase impensável que arquitectos, urbanistas, decoradores e outras gentes prescindam desta peça.

O Artista

A fusão entre o pincel e a mão funciona por entre cores e aromas penetrantes, chocando através de movimentos fugazes e cirúrgicos na tela nua e virgem.

O rigor da expressão plástica sobressai através de motivos reflectidos no puzzle de peças simétricas de 15 cm x 15 cm.

Pelas terras de Sicó* labora um personagem com os estranhos hábitos de um verdadeiro artista. No mundo das artes, tal como na natureza, o precioso é o mais difícil de encontrar - só os mais persistentes e conhecedores conseguem desenterrar esta trufa genuína.

Não querendo correr o risco de vulgarizar a arte ou o pintor, ganhámos coragem e partimos em busca do artesão, descobrindo, na medida do possível, a vida artística de Belmiro Pita. Qual o segredo? Que desígnios terão sido enviados através da mão do Criador e materializados na sua obra?

Belmiro busca como ninguém a perfeição pessoal, que considera ser inantígivel, afirma mesmo que se um dia a alcançar será sua morte como artista, auto-retrata-se como um homem de descobertas, valorizando sempre a sua formação pessoal e profissional, é na procura de combinações ideais e de aromas que perfumem as suas pinturas que reside a essência artística de Belmiro.

A pintura transformou-o naquilo que é o seu "modus vivendi", a sua obra é a sua vida e a sua vida é a sua obra, sendo para ela que vive 8760 horas por ano. Confessou-nos que, em tempos que já lá vão, a ânsia de criar e o fervilhar de ideias era tanto, que chegava a dormir deitado ao lado dos seus painéis, como que o guardião de um templo que para ele era o mais sagrado de todos – o seu atelier.

Uma vez no seu altar somos convidados a partir num transiberiano de emoções e efeitos visuais que se deslumbram perante o nosso olhar. Malas feitas e mente aberta para entrar no fascinante mundo de Belmiro, onde o regresso é difícil pois as cores invadem as formas assimétricas dos nossos corpos, transformando os nossos dedos em pincéis e a nossa alma num quadro cheio de vida.

Belmiro Pita Ferreira nasceu em 1965 e cresceu por terras de Conímbriga situada na freguesia de Condeixa-a-Velha, distrito de Coimbra.

Desde muito jovem (12 anos) começou a pintar cerâmica para algumas fábricas, onde se destacou devido ao seu estilo próprio e multifacetado, mais tarde fundou um atelier onde era responsável pela pintura e composição dos vidros e tintas.

Ao longo da sua vida frequentou vários cursos, sobre métodos de pintura; desenho artístico, aplicação das pastas no fabrico manual de azulejos e composição dos vidrados. Participou em vários seminários com o mestre Eduardo Nery, destacando um curso sobre a concepção e desenvolvimento de projectos cerâmicos para arquitectura. Aprendeu, também, algumas técnicas com o seu camarada de ofício, mestre Mário de Oliveira Soares, um dos poucos colaboradores do mestre Jorge Colaço (1868 a 1942), este último com influências directas no seu trajecto artístico, nomeadamente nas suas técnicas revolucionárias.

Para além da pintura, Belmiro adquiriu uma vasta experiência, na complexa arte do restauro de azulejos, aplicando uma execução exemplar, fruto dos seus conhecimentos e investigação na composição do barro, tintas e dos vidrados.

As suas obras estão distribuídas por todo o país, com predominância no Algarve (Quinta do Lago, Vale do Lobo, etc…), e resto do mundo. Atinge projecção em grandes obras com a execução de um trabalho de grande envergadura para o palácio de Águeda, com cerca de 4000 azulejos ocupando uma área de 90 m2.

Participou em várias exposições em Portugal, onde esteve presente na Feira Internacional de Lisboa, durante a Expo98, como convidado para representar a região de Coimbra, tendo a revista "Casa & Jardim" publicado alguns dos seus trabalhos. Foi escolhido pela Galeria "Paradise" em Morro Bay, Califórnia, EUA, para representar o que de melhor se faz em Portugal.

Actualmente possui um atelier situado em Condeixa-a-Velha, onde trabalha a tempo inteiro adaptando-se a qualquer estilo de pintura sobre alto fogo.



Textos da autoria de Nuno Teixeira e Ricardo Veloso